quinta-feira, 11 de maio de 2017

A primeira opção nunca é a única



Eu ia fazer comunicação. Essa foi uma decisão que tomei no início do ensino médio, me sentindo uma pessoa incrível por ter conseguido me decidir logo de cara, e ainda por cima não me vendo fazendo outra coisa. Estudei pro vestibular todo focando nisso, aguentando piadinhas de familiares e incertezas sobre um possível sucesso profissional. 
Continuei com esse pensamento até a inscrição do ENEM, depois me inscrevi para a última fase do PISM no curso novo de Rádio, TV e Internet, que eu entendi ser mais a minha cara. Fiz as provas ainda falando pra todo mundo que era isso o que eu queria e ia me arriscar, porque senão a gente não vive, né? 
Agora, então, chegamos à reviravolta da minha historinha: o SISU. Primeira opção: Rádio, TV e Internet, segunda opção? Eu nem considerava preencher, mas no primeiro dia acabei colocando Direito de brincadeira, mesmo sabendo que minha nota não daria - foi mais pra minha mãe sonhar, pelo menos. Como eu pensei, a nota de corte de direito era enorme e eu estava uma posição fora de RTVI, então decidi que mudaria a segunda opção por segurança: senti pela primeira vez a necessidade de um plano B. 
Foi aí que Letras entrou na minha vida. No momento que precisei descobri que existia outra coisa pelo menos próxima daquilo que eu queria, afinal, eu queria fazer comunicação pra me dedicar à parte escrita. Pesquisei sobre o curso e percebi que a área é extensa, ficando aliviada, mas ainda mirando minha primeira opção (claro). Fiquei a semana toda dentro da vaga de RTVI, mas com a extensão do SISU, no último dia, adivinhem e chorem comigo: perdi a vaga. Chorei até o olho arder, foi um verdadeiro tombo, fiquei tão atordoada que nem vi que tinha passado para Letras, mal comemorei. Ainda tinha o PISM, fiquei pensando, mas não deu em nada também. 

Agora vou dar sentido ao fato de eu ter narrado toda a minha saga de vestibulanda para vocês. 
As pessoas começaram a me consolar pelo fato de não ter conseguido o que eu queria - normal, então decidi que era hora de ver o lado bom das coisas e não me deixar levar pelo negativo. Conforme eu ia pesquisando, me preparando pra matrícula e conversando com outras pessoas, fiz uma das minhas maiores descobertas, a de que na verdade a minha segunda opção se encaixava melhor pra mim do que a primeira. Não foi uma aceitação fácil, mas no fim das contas eu me redescobri sem nem perceber. 
Com isso eu quero dizer à você que não veja o fim do túnel na primeira vez que algo der errado. Procure abrir os olhos para as outras alternativas, se redescubra, se remonte e então se encontre outra vez, e caso você perceba que nada disso é suficiente, continue correndo atrás daquilo que queria desde o início, mas sem se fazer mal pensando que aquilo é sua última saída. As inscrições do ENEM começaram e quem for prestar vestibular tenha em mente que isso não é o que vai definir quem você é e o que vai ser da sua vida. Faça aquilo que te deixe aquele gostinho de prazer, de realização e satisfação sem se importar com o que os outros pensam. Seja sempre uma melhor versão de você, mesmo que isso faça com que essa versão seja uma nova a cada dia :). 

Se alguém tiver uma história pra partilhar, pode se sentir à vontade de compartilhar comigo!

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